Em Salvador, a CUT-Bahia participou da tradicional Caminhada da Liberdade, em homenagem ao herói negro Zumbi dos Palmares. O evento, promovido pelo Fórum de Entidades Negras, acontece anualmente para comemorar o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. A saída do cortejo tem início no Curuzu, em frente à sede do Ilê Ayiê, e segue em direção à Praça Castro Alves. Participaram do evento, além de blocos afro, entidades sociais, grupos culturais, dentre outras associações. A secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira, esteve presente ao ato.
Para o presidente da CUT-Bahia, Martiniano Costa, este é um momento fundamental para defender políticas públicas de inclusão para o povo negro. “É preciso pensar condições dignas de saúde, educação, moradia e de igualdade para os negros, que ainda sofrem com a miséria e com a discriminação dentro e fora do mercado de trabalho”, disse. Ele ressaltou que os indicativos econômicos continuam a apontar a desigualdade entre negros e brancos, que é preciso lutar para acabar com essa diferença e que a CUT estará sempre atuante nesse sentido.
Lúcia Nogueira, durante o ato, louvou a importância do Dia da Consciência Negra para que a população possa refletir sobre a condição do negro no país. Ela ressaltou ainda a importância da Lei Maria da Penha. A secretária lembrou que, neste ano, a CUT criou a Secretaria de Combate ao Racismo, no sentido de estar cada vez mais empenhada em fortalecer essa política.
Para o Secretário de Combate ao Racismo da CUT-Bahia, Pedro Barbosa, o Peu, é preciso que o movimento negro seja cada vez mais atuante em defesa de políticas públicas que beneficiem essa parcela da população. "Precisamos lutar por mais espaço político, pelas cotas nas universidade, por acesso à educação, saúde e muito mais. A Bahia deve respeitar a sua história de luta", disse.
Ato ecumênico - o cortejo contou com um ato ecumênico, em homenagem às baianas de acarajé. Na ocasião, o padre Geraldo Garrido, da Igreja de Santa Bárbara, fez uma saudação em Ioruba, dialeto africano, e ressaltou a importância do candomblé e das baianas enquanto parte fundamental da cultura do povo baiano. Ele aproveitou para criticar os que se recusam a comer o acarajé feito pelas baianas por conta apenas de uma questão religiosa.
A Ebame (autoridade do candomblé) Hildete Laurinda de Jesus, do Ilê Axé Ojuirê, pediu licença a todas as nações do candomblé e pregou que Deus representa a união universal. “O 20 de novembro, acima de tudo, serve como uma importante reflexão acerca do sofrimento dos nossos antepassados”, frisou.
Quem foi Zumbi dos Palmares
Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.
Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.
No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.
Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.
O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.
Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.
Fonte: site suapesquisa.com