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Mesa Redonda
Escrito por Leonardo Severo, de Salvador-BA - 30/01/2010

No Fórum Social Temático da Bahia, que iniciou nesta sexta-feira (29) e segue até domingo (31) em Salvador, a Mesa Redonda “Crises e Oportunidades” reuniu lado a lado, literalmente, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, e a escritora Susan George, co-fundadora e presidente do ATTAC, movimento francês que se notabilizou pela campanha para taxar em 1% o fluxo do capital financeiro para acabar com a pobreza mundial.

Conforme os idealizadores do Projeto Crises e Oportunidades, que reúne cerca de 30 especialistas das mais diversas áreas – coordenado pelo professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor -, ao coletivizar as formulações no FSMT, os participantes buscam ampliar a coleta de propostas concretas de transformações e políticas públicas, dialogando diretamente com os responsáveis governamentais pela sua implementação. A idéia, defendem, “visa construir uma agenda de governança que responda de maneira equilibrada às necessidades econômicas, mas que também permita enfrentar os grandes desafios da desigualdade e da sustentabilidade ambiental, nos planos nacional, regional e global”.

Esta ação consciente e coletiva é necessária, sublinhou Susan George, pois os responsáveis pela crise continuam a não reconhecer o óbvio: que ela é bem mais do que financeira, “por mais graves que sejam seus aspectos financeiros”. Susan avalia que esta é uma “crise múltipla, na qual todos os elementos que a compõem se reforçam e agravam reciprocamente, com a desigualdade alcançando níveis insustentáveis”.

Artur Henrique defendeu que uma das questões chaves para o enfrentamento desta crise e para “a construção de um novo mundo possível e necessário” está intimamente ligada à criação de instrumentos e mecanismos de democracia direta, o que fortalecerá a participação coletiva e ampliará a possibilidade de maior controle social do Estado. Da mesma forma, o presidente cutista alertou para a necessidade de se estabelecerem contrapartidas sociais para os empréstimos com recursos públicos, vinculando a sua liberação ao cumprimento da legislação, seja ela ambiental ou trabalhista, à geração de emprego e renda. “Precisamos ter tolerância zero com o trabalho escravo e infantil, tolerância zero com a rotatividade da mão-de-obra, com as extensas jornadas. Os trabalhadores precisam de tempo livre para a cultura, a educação e o lazer”, ressaltou. Entre as propostas elencadas pela CUT, acrescentou Artur, encontra-se “o imposto sobre grandes fortunas e o limite de propriedade da terra, para promovermos uma profunda mudança no modelo agrário atual”.Diante dos ataques de privatistas e neoliberais, Sílvio Caccia Bava, do Instituto Polis e do Le Monde Diplomatique Brasil defendeu a necessidade de se resgatar a dimensão pública do Estado.

O jornalista Joaquim Palhares, coordenador da Agência Carta Maior, alertou para “o vetor ideológico, estratégico para a globalização neoliberal”, denunciando a visão alienante e alienadora dos grandes conglomerados de mídia, que têm se comportado como “braços operativos do grande capital” ao defenderem sua “política de Estado mínimo e de privatizações, seu modelo excludente e concentrador de renda”. Ao todo foram mais de uma dúzia de intervenções que se somaram, trazendo contribuições nos mais diferentes campos.

Representando a Secretaria Nacional de Economia Solidária, o renomado economista Paul Singer elogiou o tom do documento que vem sendo formatado como “uma agenda de mudanças estruturais”, mas cobrou uma definição de uma estratégia que aponte “o que nós intelectuais, sindicalistas e governos podemos fazer para construir as transformações necessárias”.

Além do professor Ladislau Dowbor e de Susan George, o documento “Crises e Oportunidades: Uma agenda de mudanças estruturais” contém contribuições de Carlos Lopes, subsecretário geral da ONU e do eco-socieconomista Ignacy Sachs, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Os textos estão disponíveis  no site www.criseoportunidade.wordpress.com “podendo ser livremente divulgados para fins não comerciais”.  
 

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