O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, a convite do presidente da Central na Bahia, Martiniano Costa, esteve presente à mesa “Diálogos e Controvérsias” do Fórum Social Mundial Temático Bahia (FSMT-BA), na manhã deste sábado (30), com a presença do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. O ministro representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governador Jaques Wagner (PT/BA), o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro, cientistas políticos e representantes dos movimentos sociais e centrais sindicais compuseram a mesa de debate, coordenada pela presidente da Força Sindical da Bahia, Nair Goulart.
Artur Henrique destacou a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para o país e para o mundo, diante da última crise econômica e financeira internacional. “Enquanto eles pensam em enviar dinheiro para socorrer os bancos, milhões de crianças passam fome no mundo”. Nessa perspectiva, Artur colocou a necessidade de implantar uma agenda de trabalho decente para o país, com o combate ao trabalho escravo e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O ministro Patrus Ananias falou sobre a importância dos programas de combate à fome e a miséria para o desenvolvimento do país e a inclusão social. Nesse sentido, ele defendeu um maior esforço dos governos e da sociedade no combate à fome no mundo. "Estamos aqui para discutir nossos avanços no combate à fome e às desigualdades sociais de forma democrática e efetiva", disse. Ele ressaltou ainda que o repasse de 5% do lucro líquido das empresas para os trabalhadores é possível e não vai prejudicar o empresariado.
O governador Jaques Wagner rebateu as críticas de que uma maior participação do governo federal e, sobretudo estadual, no Fórum Social Mundial Temático são indícios de um evento “chapa branca”. “Não caiam nessa casca de banana”, disse aos movimentos sociais reunidos na capital baiana. Ele defendeu que esses grupos são parte independente do governo, mas que é o governo quem deve efetivar e sustentar o diálogo social. “Não há nenhuma contradição nisso”, afirmou. Segundo o governador, é melhor que se tenha um governo aberto ao diálogo do que um governo que persegue o movimento social.
A luta permanente que se trava entre as forças tradicionais e populares também foi tema da fala do ministro Samuel Pinheiro Guimarães. Ele salientou as mudanças que vêm ocorrendo no cenário global, como a substituição do G8 pelo G20 e a participação de mais países nas discussões sobre mudanças climáticas. “A luta contra a opressão é uma luta histórica, permanente. Naturalmente nós enfrentamos a resistência dos que se beneficiam dos regimes desiguais”, afirmou.
Em sua participação, o subsecretário da Organização das Nações Unidas (ONU), Carlos Lopes, ressaltou que as formas de negociação no mundo mudaram e que os diversos atores sociais precisam estar preparados pra isso. Ele chamou a atenção para o fim do mundo unipolar liderado pelos Estados Unidos “os países precisam se habituar a uma janela de oportunidades”.
A necessidade de reduzir a emissão dos gases estufa foi tratada pelo jornalista francês Bernard Cassen. Segundo ele, o principal inimigo para uma política ambiental séria é o tratado de livre comércio, que precisa ser combatido. É uma contradição discutir ao mesmo tempo esse tema e a redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa. “Há um desafio para os setores de esquerda em reorganizar a economia mundial e as democracias”, enfatizou.
Para o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) Adilson Araújo, a América Latina passa por transformações em seu desenho político, com a liderança de governos progressistas. Em contraponto, ele acrescentou que é preciso manter a vigilância para que casos como o golpe de Honduras, no qual foi deposto o presidente Manuel Zelaya. “Vamos manter o vigor das mudanças que conseguimos. Um outro mundo socialista é possível”, afirmou.
A representante da Coordenação dos Movimentos Sociais, Lúcia Stumpf, fez um balanço dos dez anos do FSM e os avanços nesse período para o país. “Deixamos de ser o quintal dos Estados Unidos e passamos a ser um país que começa a ver a sua economia florecer”, disse. Ela ressaltou também sobre o importante papel dos movimentos sociais diante da necessidade de uma política séria de reforma agrária e outros avanços no campo social.
Carta do presidente – ao início de sua fala, Ananias leu uma mensagem do presidente Lula, na qual destacava a importância do Fórum Social Mundial Temático da Bahia e a necessidade de que o evento construa uma agenda comum para o mundo pós-crise. Para Lula, o evento não é apenas um contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, mas também um dos pontos focais das discussões sobre o futuro da humanidade. “Um espaço democrático e diversificado de debates e articulações, que expressa a força de energias transformadoras”, acrescentou o presidente.