Com a participação de cerca de 300 dirigentes de mais de 15 entidades nacionais, a Assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), realizada na manhã deste domingo (31) durante o Fórum Social Mundial Temático da Bahia, em Salvador, definiu a mobilização em defesa do pré-sal, a democratização dos meios de comunicação e a valorização do trabalho como bandeiras prioritárias neste ano para o enfrentamento ao retrocesso neoliberal.
Aberto com canto e poesia, ritmados pelo som dos batuques, o encontro fez ecoar pela Ladeira dos Aflitos a determinação de cada uma das 10 mil pessoas que compareceram ao evento: “eterna é a certeza de vencer”. A voz firme e o contentamento, diante da certeza do dever cumprido, fizeram vibrar a música dos batalhadores pela reforma agrária e pela justiça, nos campos e cidades: “Este é o nosso país, esta é a nossa bandeira, é por amor a esta Pátria, Brasil, que a gente segue em fileira”
Representando a Central Única dos Trabalhadores, Rosane Silva sublinhou o significado da elaboração conjunta e da unidade para dar maior consistência aos duros enfrentamentos do próximo período. “É muito importante que o Fórum Social Mundial, além de um espaço de formulação coletiva seja de mobilização em torno de lutas unitárias para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, destacou Rosane, defendendo que nas entidades populares brasileiras já existe esta compreensão e amadurecimento, pois existe a rica experiência da CMS. A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT destacou a atualização dos índices de propriedade da terra, para impor limites ao latifúndio, e a aprovação da PEC do trabalho escravo como duas propostas cruciais para fazer avançar a reforma agrária. Rosane sublinhou ainda a necessidade da aprovação das Convenções 151 e 158 da OIT – que estabelece a negociação coletiva no serviço público e coíbe a demissão imotivada – para a democratização do Estado e para a valorização dos serviços e servidores.
Membro da direção nacional do MST, João Paulo Rodrigues também frisou a relevância da aprovação de um calendário unificado de lutas como essencial para o enfrentamento com a direita, que insiste na criminalização dos movimentos sociais. João Paulo lembrou que somente na última semana mais 12 integrantes do MST foram presos.
Em nome da Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais, José Miguel, da direção da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC) defendeu a estratégia aprovada pela CMS de estabelecer temas comuns para o enfrentamento com a crise da globalização neoliberal. “Precisamos defender nossos países e combater a militarização imperial, lutar pela soberania alimentar, proteger o meio ambiente. A grande mídia e os meios de comunicação são portavozes do imperialismo, das bases militares na Colômbia e no Panamá, contrária à democracia, à soberania e à integração solidária”, denunciou.
Para Lúcia Stumpf, da União Brasileira das Mulheres (UBM), a participação de representantes do MST, CUT, CTB, UNE, UBES e Unegro, entre outras tantas entidades na assembléia da CMS em Salvador, assim como em Porto Alegre, aponta para um crescente amadurecimento sobre a necessidade de somar esforços em barrar espaço ao retrocesso neoliberal e consolidar um projeto de desenvolvimento soberano, inclusivo, que aprofunde as transformações em nosso país.