Home
  Cultura
  Galeria de Fotos
  Links
  Denuncias
  Entrevista
  Tribuna Livre
  Opinião
  Destaque
  Agenda
  Agenda da FETRAMEB
  Noticias
 
Seminário Internacional
Escrito por William Pedreira, do Rio de Janeiro - 03/02/2010

Discutir e traçar o panorama das relações econômicas e geopolíticas recentes entre a China e os países da América Latina. Este foi o tema central do primeiro dia do Seminário “A presença econômica chinesa na América Latina e as consequências para o mundo do trabalho”. O evento é uma iniciativa da RedLat (Rede Latino-americana da Pesquisas em Empresas Multinacionais) e foi organizado pelo Instituto Observatório Social, responsável pela secretaria operativa da rede.

 

Além dos debates, foram apresentados nesta terça-feira (2) os resultados preliminares da pesquisa “Oportunidades e ameaças da ascensão global da China para os trabalhadores latino-americanos”. O estudo, coordenado pelo Observatório Social, tem o apoio pela FNV Mondiaal e visa preencher uma lacuna, já que os movimentos sociais da América Latina não contam com uma reflexão aprofundada sobre o fenômeno China. 

 

Para o presidente do Instituto Observatório Social e diretor executivo da CUT, Aparecido Donizeti da Silva, o seminário buscará através dos debates o desenvolvimento de grupos de trabalho que estudem e tirem conclusões sobre este assunto. “Respeitando a diversidade de cada país, temos que tirar uma agenda de mobilização. No caso no Brasil, precisamos definir como cada ramo de atividade deve agir frente a atuação chinesa.”

 

A presença do embaixador da China no Brasil, Qui Xiaoqui, expôs a visão chinesa sobre o mercado latino-americano. Para ele, essa é uma nova era nas relações sino-latino-americanas. “Temos hoje uma complementaridade de interesses, com foco nas matérias primas e nos investimentos a elas associados. A China se converteu na 2ª parceira comercial da América Latina, com investimento que chegam a 150 bilhões de dólares em 2008.” Para o Brasil, a China se tornou o maior sócio comercial, superando os Estados Unidos. “Estamos dispostos a consolidar isso estreitando os laços de cooperação mútua a fim de desenvolver vínculos binacionais”, relata Xiaoqui.

 

Para o representante do BNDES, Elvio Gaspar, o estudo sobre a influência chinesa na América Latina tem uma relevância muito importante. “Precisamos fazer política para o trabalhador, construindo relações que visem o acesso ao consumo, ao trabalho, a inclusão social, aos serviços públicos.”

 

A assessora política da FNV, Andriette Nommensen, relatou que a instituição apoia vários projetos que subsidiam a luta contra as mais variadas formas de precarização do trabalho. “Por exemplo: se há exploração de trabalhadores holandeses em alguma instituição brasileira, a CUT nos informa e intervimos rapidamente. Na China é diferente porque não temos um parceiro natural e o movimento sindical muitas vezes é subordinado ao governo. Seria muito importante que tivéssemos representantes dos trabalhadores na China.”

 

A necessidade do movimento sindical de se engajar na discussão do papel a ser desempenhado nessa relação de intercâmbio também foi destacada pelo coordenador político da CSA, Iván González. “No Brasil, a CUT como maior central da América Latina é e será muito importante neste processo de crescimento comercial entre os dois países.”

 

O diretor executivo da CUT, Adeilson Telles, considera que o século XXI aparece como um desafio para o movimento sindical. “É necessário criar novos paradigmas, oposto do modelo dos séculos passados. Resta a nós, forçar e lutar para que os dois países não repitam o modelo mundial atual de desenvolvimento econômico, com base no capitalismo e na globalização.”

 

O final dos debates pela manhã foi reservado para o primeiro painel do dia, sobre a ascensão chinesa e o novo cenário internacional. Presente a mesa, o professor da Universidade Colégio de México, Romer Cornejo, lembrou que há 200 anos a China era a nação mais rica, mas que no século 19, pela invasão de várias nações, tornou-se instável politicamente, com atraso cientifico e tecnológico.

 

“A China nunca renunciou este espaço hierárquico no mundo. Sendo a maior concentração de massa no mundo, com a mesma língua, com um discurso nacionalista, o país conseguiu retomar a sua posição entre as maiores potências”, descreve Cornejo.

 

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e assessor da presidência do BNDES, Antonio Barros de Castro, disse que graças a política econômica de baixo preço adotada pela China teremos a criação de uma nova classe média, com um maior poder aquisitivo. “Supõe-se que entre 2020 e 2030, dois bilhões de habitantes entrem nessa nova classe média.”

 

Para ele, o mundo passa por profundas mudanças que precisam vir acompanhadas com políticas públicas a longo prazo. “No Brasil já existem algumas políticas neste sentido, como por exemplo, a reconstrução do sistema elétrico.”

 

China e suas relações comerciais

No período da tarde foram apresentados os estudos envolvendo a África e a América Latina. No primeiro painel, a representante do Labour & Economic Development Research Institute of Zimbaue (LEDRIZ), Naome Chakanya, apresentou a pesquisa “Chinese Investments in África”, feita pela entidade com apoio da FNV. O resultado final mostrou que para os trabalhadores africanos, a inserção chinesa no continente trouxe conseqüências negativas.

 

Como forma de combate ao desemprego no seu país, a China desloca seus trabalhadores para a África, causando desemprego para os nativos. “Se a China está no continente para criar emprego porque traz mão-de-obra de seu país? Essa é uma questão que está sendo muito debatida e acompanhada pelo movimento sindical local”, relata Naome.

 

Na questão das relações de trabalhistas, Naome faz uma denúncia. “No Malawe, numa empresa chinesa, os trabalhadores tiveram que misturar concreto com as mãos, sem luva e com a mistura de urina humana. Houve outros casos também que tiveram que usar a urina e materiais orgânicos e misturar com as mãos sem proteção, violação das normas de segurança da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Não há contratos nessas empresas, não há forma do trabalhador reivindicar os seus direitos.”

 

Para ela, esse panorama só vai mudar se os sindicatos melhorarem a sua organização nos locais de trabalho e a sua capacidade de negociação. “Nas Campanhas Salariais, não podemos discutir apenas as clausulas relacionadas aos salários como é feito hoje. Precisamos abordar questões como moradia, transporte, questões sócias, ampliar sua pauta na busca por uma agende decente de trabalho.”

 

A pesquisa “Oportunidades e ameaças da ascensão global da China para os trabalhadores latino-americanos”, foi apresentada pelo professor da Universidade de São Paulo, Alexandre de Freitas Barbosa.

 

O estudo passou por algumas fases, desde a receptação de fatos econômicos até o estudo setoriais dos oito países membros (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai). Com estes subsídios poderá ser feita a socialização e construção de estratégias sindicais por meio de reuniões nacionais para compartilhar os resultados de projeto com sindicalistas, sociedade civil e representantes do governo.

 

“O que está em jogo é a articulação de uma agenda latino-americana de desenvolvimento com soberania, geração de emprego e inclusão social”, conta Alexandre.

 

Todos os estudos estarão disponíveis no site da RedLat e do Instituto Observatório Social.


Confira aqui a programação desta quarta-feira (3):

Seminário Internacional: A presença econômica chinesa na América Latina e as conseqüências para o mundo do trabalho.

Local: Rio de Janeiro – Hotel Rio Othon Palace

Datas: 2 e 3 de fevereiro de 2010

3 de fevereiro (quarta- feira)

9h30 - Painel 4 - As relações econômicas entre Brasil e China: competição ou parceria?

- Artur Henrique dos Santos, presidente da CUT

- Rodrigo Maciel, secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China
- João Rossi, coordenador geral de Negociações de Acordos Comerciais da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

- Ricardo Henriques, assessora da presidência do BNDES

- Severino Cabral, diretor-presidente do IBECAP e professor da Universidade Cândido Mendes

Mediação: Instituto Observatório Social


11h30 – Debate


12h30 – Almoço


14h - Painel 5 - A ascensão chinesa segundo a perspectiva do movimento sindical latino-americano
Representantes do movimento sindical latino-americano
Mediação: IOS

15h30 – Debate

16h -– Pausa para café

16h30 - Painel 6 – Globalização, integração regional e a ascensão chinesa: os novos desafios para a organização sindical
- Kjeld Jakobsen, especialista em Relações Internacionais
- Iván González, coordenador político da CSA
- Patricio Sambonino, Consultor da FNV e Coordenador do projeto ICEM-Mercosur
Mediação: RedLat

17h30 – Encerramento

Leia também:

18/08/2010 - Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres
17/08/2010 - Químicos e petroleiros da Bahia reúnem aposentados em Salvador
12/08/2010 - Informe Sinterp/BA: TV Aratu é condenada
12/08/2010 - Plebiscito Popular
12/08/2010 - Desafios para o trabalho decente
11/08/2010 - 4ª etapa da discussão do pré-sal acontecerá em Salvador na segunda-feira
10/08/2010 - Plenária unificada: militantes entregam reivindicações a Wagner, Lídice e Pinheiro
10/08/2010 - Filme Carregadoras de Sonhos na Sala de Arte da Ufba
09/08/2010 - Em Salvador, CUT lança Plataforma para as Eleições
07/08/2010 - Movimento social realiza plenária unificada em Salvador
06/08/2010 - CUT nas Ruas não para
05/08/2010 - Plataforma da CUT para Eleições 2010 é lançada em Salvador
04/08/2010 - Nova direção do Sinergia toma posse
02/08/2010 - Da eleição à comunicação
02/08/2010 - Movimentos sociais inauguram comitê

 

Copyright © 2002 - 2008 CUT Bahia
Todos os direitos reservados
Desenvolvido por