Participante ativo do Fórum Social Temático da Bahia, realizado de 29 a 31 de janeiro em Salvador, Saul Gomes da Cruz, diretor de Formação Política Sindical do Sincotelba (Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Estado da Bahia), disse que a categoria está mobilizada “em defesa da manutenção do monopólio postal no Brasil como fator de justiça social, de qualidade e confiabilidade”.
Conforme Saul, o correio brasileiro é considerado por muitos o melhor do mundo pois “atende a população com eficiência, respeito, qualidade e preços baixos, uma vez que a empresa usa o lucro obtido nos grandes centros para custear os serviços prestados nas localidades que dão prejuízo”. Desta forma, “cidades pequenas e remotas, além de comunidades e periferias afastadas e não regularizadas das metrópoles são atendidas pela ação estatal”. De olho na fatia mais lucrativa, denunciou o sindicalista, “as empresas de distribuição multinacionais e os grandes tubarões querem tomar os serviços dos Correios para engordar ainda mais os seus lucros. O plano é claro: quebrar o monopólio, entrar no setor, enfraquecer a empresa a por fim, comprá-la, privatizando os serviços”.
O diretor do Sincotelba ressaltou que as localidades sem Código de Enderaçamento Postal e as comunidades não regularizadas “já têm de ser virar com as caixas postais comunitárias, sem o carteiro devido a uma medida tomada no governo FHC e que precisa ser derrubada”. De acordo com Saul, esta ameaça ganha corpo atualmente com o Projeto de Lei 3677/2008, do deputado federal Régis de Oliveira, feito sob encomenda para as multinacionais, já que “libera para qualquer empresa entregar qualquer correspondência”. “Há ainda outras iniciativas daninhas, como a que está no poder judiciário e questiona a legalidade da lei que regulamenta o setor postal no país e estabelece o monopólio da União”, alertou.