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A mulher negra em Salvador: a menos procurada, desejável e empregada no mercado de trabalho

Escrito po: Marta Rodrigues - Vereadora da Cidade do Salvador /PT

21/03/2017

Os desafios das Mulheres Negras na inserção socioprodutiva!

As mulheres são mais da metade da população brasileira, estudam mais que os homens, ganham menos trabalhando nas mesmas funções e ocupam os piores postos. Esta é a realidade apontada pela Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana do Salvador, realizada pelo DIEESE em parceria com a SEI/2017.
 
Apesar de a cada ano mais mulheres ingressarem no mercado de trabalho em 2016 - 31 mil contra 16 mil postos ocupados por homens em Salvador -  o patamar do desemprego feminino mantém-se elevado:  51,8% dos 456 mil desempregados existentes na capital baiana, segundo a pesquisa do Dieese.
 
O desemprego entre as mulheres negras, no entanto,  é ainda maior e equivale a mais da metade da população desempregada: 54%. Esses dados quando comparados às mulheres não negras, que também convivem com taxa de desemprego mais elevada, apontam uma diferença nas taxas de desemprego de 3,7 pontos percentuais desfavoráveis às negras. Nesse tocante, a mulher negra é a menos procurada, desejável e empregada no mercado de trabalho, sofrendo dos dois tipos de preconceitos articulados – gênero e raça.
 
No que se diz respeito à posição na ocupação, percebe-se maior precariedade do emprego feminino. Houve um decréscimo da participação das mulheres na Indústria de Transformação – setor com maiores rendimentos e garantias – em detrimento ao crescimento na área de serviços, em especial no setor doméstico, como diarista (aumentou de 2,9% em 2015 para 4,0% em 2016). No Brasil cerca de 90% dos “trabalhadores domésticos” são mulheres.
 
Esses dados refletem o quanto o debate acerca da divisão sexual do trabalho, ainda é norteador do processo de inserção das mulheres no mercado do trabalho. Tal divisão posiciona as mulheres nos postos menos prestigiados, seja pela conciliação da vida familiar e vida profissional, seja pela insurgência de políticas publicas de assistência que permitam a ambiência relativa para garantia dessas atividades.
 
Além disso, as mulheres trabalham mais do que os homens e ganham menos. A jornada semanal de trabalho delas é em média 55,1 horas em contraponto a 50,5 horas dos homens.  Já os indicadores de rendimentos médio real (-5,9%), que passou de R$ 1.283 para R$ 1.207, a menor média real auferida pelas mulheres desde 2007 ( DIEESE/SEI).
 
Ou seja, constata-se ainda que, por mais que as mulheres tenham tido significativa inserção no mercado de trabalho,  estão longe de alcançar de forma igualitária com os homens os melhores postos e remunerações.
 
É valido ressaltar que para além dessas questões técnicas, o ingresso da mulher no mercado de trabalho está atrelado a vários aspectos da discriminação, em especial o assédio moral e sexual, infelizmente recorrentes no Brasil. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que 52% das mulheres economicamente ativas já foram assediadas sexualmente.
 
Esses assédios têm implicações psicológicas, sociais e laborais profundas nas vidas dessas mulheres, vitimas assíduas destes tipos de violência. Nesse quesito, nesses últimos anos poucos foram os investimentos municipais para as unidades de assistência e apoio a essas mulheres.
 
Nesse sentido, o debate acerca das inserções, igualdades e equidades das mulheres no mercado de trabalho e na sociedade ainda são pautas recorrentes e prioritárias, o que nos leva a crer que a luta é diária e continua, com base da reestruturação das ferramentas de empoderamento e  sociabilidade.
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